São Paulo, 9 de março de 2018

A falta que faz Mario Covas

Há 17 anos, no dia 6 de março, o Brasil se despedia de Mario Covas, um dos nomes mais definitivos da boa política nacional.

A história de Mario Covas se confunde com a do Brasil. De líder estudantil a governador do Estado de São Paulo, seu legado é vivo, pulsante e definitivo. Ainda hoje não é raro quando sou abordado, sobretudo por pessoas na terceira idade, que se emocionam ao falar dele, contando situações que viveram ou observaram seu comportamento exemplar.

Ao mesmo tempo em que me envaidece saber de sua dimensão política, me orgulha saber do motivo disso acontecer: sua postura de nunca titubear em relação a uma decisão que envolvesse o benefício para aquele que precisasse mais.

Suas obras são muitas e diversas delas foram responsáveis por transformar a vida de muita gente, mas citá-las não seria suficiente. Falar dos valores de Mario Covas, sobretudo em um momento em que a população enfrenta grave crise de confiança em seus representantes é mais proveitoso.

Certa vez, meu pai disse: “Lealdade é um valor praticado entre companheiros, mas há uma forma de lealdade que se sobrepõe a todas: a lealdade aos destinos do país. Apoiar não significa deixar de emitir discordância”.

Infelizmente, esse valor é cada vez mais raro. Projetos de poder prevalecem, compadrios e toma lá dá cá em prol da manutenção de cargos e importâncias estão acima dos interesses, necessidades e compromissos com a população.

Meu pai nunca renegou o rótulo de político, pelo contrário, tinha muito orgulho de se afirmar como tal, mas sempre esteve atento aos aspectos perigosos do poder, sobretudo em não se ater às aparências fascinantes dele.

Sem jeito para ser boneco nas mãos de marqueteiros, Mario Covas me faz falta como pai, e a todo o Brasil como político e exemplo de honestidade e compromisso com o povo.

Tags:

[manual_related_posts]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *