Opinião

Chegou a hora da verdade, presidente!

Em entrevista concedida no fim do ano passado, o senador Aécio Neves afirmou que se houvesse um Procon eleitoral, Dilma Rousseff teria de devolver o mandato. A julgar pela quantidade de promessas não cumpridas pela presidente reeleita em tão pouco tempo, a frase é mais do que crível.

Durante sua campanha, marcada sobretudo pela falta de ética, a então candidata do PT sublinhou que não haveria um tarifaço em sua segunda gestão. Levou apenas vinte dias desde o início desta para os brasileiros serem surpreendidos com um “pacote de maldades” do qual fazem parte a volta da Cide, tributo cobrado sobre o valor da gasolina e do diesel, o aumento do IOF nas operações de crédito para a pessoa física, a elevação pela Caixa Econômica Federal nas taxas para o financiamento imobiliário e um reajuste de 40% na conta de luz.

Neste último caso, o aumento é seis vezes superior ao índice da inflação prevista para 2015 e, claro, vai muito além dos possíveis reajustes salariais neste ano que acena para a recessão.

Conforme bem destacou o deputado federal José Aníbal, o rombo causado pela presidente no setor elétrico deve chegar a R$ 100 bilhões. Os méritos são de sua medida provisória 579, que reduziu artificialmente a tarifa de energia. Disse Aníbal: “ela foi arrogante, fez vista grossa para os problemas para não prejudicar sua reeleição e disse que não existe mais apagão”. O que foi então o blecaute ocorrido nessa semana em dez estados e no Distrito Federal?

O festival de contrassensos é extenso. À época da eleição, a petista acusou a oposição de plantar inflação para colher juros. Agora, acaba de dar aval a uma nova alta da Selic, que chega a 12,25%. Resultado: comprar no crédito ficou ainda mais caro.

Nem o compromisso com a educação, apontada como a prioridade do governo federal, resistiu por mais de três meses. De uma vez, R$ 7 bilhões foram cortados do orçamento da pasta.

E o que dizer dos direitos trabalhistas? Se às vésperas do pleito eleitoral a presidente bradou que não os mudaria “nem que a vaca tussa”, não esperou nem o ano novo chegar para aprovar novas regras bastante severas para a obtenção do seguro-desemprego e do abono salarial. Enquanto isso, a tensão no setor industrial cresce, com demissões e mobilizações de trabalhadores – vide a área automotiva.

Curiosamente, o PT não contava ter de lidar com sua própria herança maldita. Estranho, pois o partido já devia estar preparado para isso após cometer um sem-fim de equívocos administrativos e usar um teatro forjado para permanecer no poder. A resposta para “quem paga o pato?” é óbvia. E injusta.

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