Opinião

Artigo: Governos devem ser para todos

Covas: “Governantes não devem restringir atuação ao seu campo ideológico”

Na eleição passada, fui uma das pessoas que pregou – e talvez por isso tenha perdido a disputa para senador – que o país precisava sair dessa disputa de ‘nós’ e ‘eles’, esquerda e direita, ricos e pobres, PT e PSDB. No meu entender, o país já não aguentava mais essa divisão.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Acabou predominando a continuidade dessas disparidades. Hoje nós temos no governo alguém que se colocou e ganhou a eleição – legitimamente – com um discurso ‘anti’ e não ‘pró’, seguido por muitos eleitores que optaram em votar dessa forma.

Em vários momentos escutei que a vitória do presidente eleito significaria o sepultamento definitivo do PT, o que não é verdade e nem deveria ser a motivação para as pessoas votarem. Acredito que a escolha deva privilegiar um representante que pense no país daqui pra frente, e que governe sem excluir parte da população – condição fundamental de um bom governante.

Em embates eleitorais, acredito que os indivíduos devem ter posicionamentos claros, e é comum que estes sejam completamente antagônicos em relação ao de outros grupos. Porém, no momento em que um candidato é eleito e passa a exercer sua função, deve ter a responsabilidade de exercê-la para todos. Ninguém é presidente da República apenas de alguns, ou só de quem esteve ao seu lado durante a campanha, mas de todos. Isso, sublinhe-se, vale para todas as esferas de poder.

Por conta disso, acompanhei com muito interesse os discursos dos eleitos presidente do Brasil e governador de São Paulo, justamente para saber como ambos encaravam esse novo momento. O primeiro, em sua fala, sinalizou que seu governo seria mais amplo, enquanto o segundo preferiu, pelo menos a princípio, um discurso próximo do eleitoral.

Dito isso, faço uma defesa do prefeito Bruno Covas, criticado por alguns por sua escolha para o comando da secretaria de Cultura. O fato de um representante eleito trazer para junto de si alguém que tenha uma militância partidária, não diminui essa pessoa, pelo contrário. É preciso que militância não se confunda com entrega de espaço de poder a ponto do governo ter feudos, a ponto de alguns pontos da administração tornarem-se ‘fortalezas partidárias’, o que não tem a ver com interesse público, mas partidário.

Por outro lado, se antes de perguntar se uma pessoa é capaz de desempenhar seu papel dar-se mais atenção ao fato dela ser filiada a este ou aquele partido político, o que se faz é restringir sua atuação ao seu campo ideológico.

Penso que o prefeito, o governador ou o presidente têm, pelas urnas que os elegeram, obrigação de seres fiéis ao discurso que fizeram, e seus auxiliares devem seguir essa política e não realizarem uma política independente.

Finalmente, defendo que não se pode julgar um governo inteiro em função de um nome, especialmente se ele é de um partido diferente daquele que o agrada. Se for assim, não é possível construir um governo plural e que vise o bem de todos.

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