São Paulo, 5 de fevereiro de 2018

Covas: “Não sou pedra no sapato de João Doria”

Em entrevista dada ao programa Debate em Família, da Super Rádio, ao vivo no último domingo, 4, o vereador Mario Covas Neto rejeita o título de pedra no sapato do prefeito João Doria.

Apesar de serem do mesmo partido, Covas sublinha que isso não implica em posicionar-se a favor de todas as propostas do seu correligionário. “O eleitor que votou em mim não espera isso”.

O esclarecimento do parlamentar deve-se à ação judicial movida por ele por conta da tramitação do projeto, proposto pelo Executivo, que prevê a privatização do autódromo de Interlagos, na Câmara Municipal. Segundo Covas, o regimento da Câmara Municipal foi burlado para favorecer uma votação favorável à prefeitura. “Isso não foi culpa do prefeito. Foi uma condição da casa que permitiu uma condução equivocada”.

Filho do ex-governador Mario Covas, o vereador tucano diz que mesmo após cinco anos na vida pública, as comparações entre os dois ainda são inevitáveis. Mas apesar de conhecer o ‘peso’ do nome que leva, aponta como sua maior preocupação representar bem seus eleitores. Justamente por isso procura conservar sua individualidade política e não conduzir um mandato de situação apenas por ser da mesma legenda de Doria e de seu sobrinho, Bruno Covas, vice-prefeito da capital.

Eleição para o governo de São Paulo

Questionado sobre seu apoio ao vice-governador Marcio França nas eleições para o governo do estado de São Paulo deste ano, Covas explica que para ele, o mais importante neste momento é eleger Geraldo Alckmin presidente da República.

Sobre França, membro do PSB, ele destaca a importância de manter o apoio do partido, historicamente ligado à esquerda, a Alckmin. Isso, no seu entendimento, garantiria ao atual governador um palanque sólido para sua campanha em São Paulo, o que pode não acontecer caso o PSDB apresente um candidato próprio – algo ainda não visto para breve.

Os pré-candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, Floriano Pesaro e Luiz Felipe d’Avila, são, nas palavras do vereador, apesar da qualidade, de pouca expressão eleitoral. “Eles precisam de alianças, e não podem fazê-las ainda por não serem candidatos oficiais”. Enquanto isso, França já tem três partidos apoiadores de sua candidatura.

Quanto a João Doria, Covas diz que apesar dele poder aparecer bem colocado em um primeiro momento, no futuro isso pode ser ruim. “Por ter sido eleito com imagem de gestor e não de político, como responder ao eleitor que após um ano e três meses como prefeito ele sairá candidato a outra coisa? Isso tem cheiro de política carreirista”. Usando um adesivo com a frase “Fica Doria” na camisa, ele comenta que o mais correto seria o prefeito aguardar o desenrolar de todo o processo de leilões e privatizações dos bens públicos previstos no plano municipal de desestatização. “O ganho que se pode ter para transformar essa cidade [São Paulo], tendo mais orçamento para investir no que é necessário não aconteceu ainda”.

Prévias para candidato a presidente

Apesar de apontar Geraldo Alckmin como candidato ideal à presidência do país, Covas afirma que ele deve disputar prévias com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Após elogiar o pré-candidato ao planalto, sublinhando suas boas posições quando este era líder do PSDB no Senado, Covas não acredita que Virgílio tenha força interna partidária para fazer frente à candidatura de Alckmin. “É o que eu vi na convenção nacional”, analisa.

Assista a participação de Mario Covas Neto no ‘Debate em Família’ na íntegra.

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