Opinião

O drama da saúde municipal

Em março deste ano um relatório da Secretaria Municipal da Saúde apontou que a fila de espera por uma cirurgia na capital chegara a 63 mil pessoas.

O número, 10% superior em relação à gestão anterior, atestou o fracasso da política petista na área e deixou claro que a promessa do prefeito de diminuir a espera dos aguardam por uma operação dificilmente será cumprida.

Nesta semana a imprensa divulgou outras informações que comprovam quão mal vai a saúde municipal. O número de consultas nas AMAs, unidades que prestam assistência médica ambulatorial, caiu 21% em 2014 na comparação com o ano anterior. Em números, foram 5,8 milhões de atendimentos contra 7,3 milhões em 2013.

Na unidade Castro Alves, no bairro de Cidade Tiradentes, Zona Leste, não foi possível encontrar um pediatra em 91% dos dias do ano passado. Não tem melhor sorte quem precisa ser atendido por um clínico ou ginecologista – uma consulta com o especialista pode levar seis meses.

Nem a epidemia de dengue na capital motivou uma mudança. Pelo contrário: pacientes chegaram a ser dispensados das AMAs por não haver médicos para examiná-los.

No caso das UBSs (Unidades Básicas de Saúde), o número de consultas manteve-se praticamente inalterado, mas o próprio secretário da Saúde, José de Filippi Júnior, afirma que a quantidade é insuficiente para atender a demanda.

Segundo ele, São Paulo deveria ter 600 UBSs, mas conta com apenas 450. E pior: dessas, apenas 250 são adequadas para atendimentos. As outras 200 deveriam ser chamadas de “CBSs, casinhas básicas de saúde”.

Como é de hábito, moradores de áreas afastadas do Centro são os mais afetados pelo problema.

Outro exemplo é o sofrimento dos que aguardam por uma prótese dentária. No último relatório divulgado pela Secretaria, mais de 28 mil cidadãos estavam na fila cujo tempo de espera era de seis anos.

Tantos problemas evidenciam ainda mais porque o prefeito preferiu vetar meu projeto de instalar nos equipamentos de saúde municipais uma linha direta com a Ouvidoria da Saúde para que os cidadãos pudessem formalizar sugestões, reclamações ou denúncias sobre o serviço oferecido.

Em sua justificativa para o veto, afirmou que “isso acarretaria uma enxurrada de ligações telefônicas diárias para essa unidade centralizada”. Faz todo o sentido.

Conheça nosso mandato mais de perto

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *